segunda-feira, 13 de maio de 2013


HOLLEN PARTE TRÊS

Ps.: Saiu! Mais um capítulo do meu conto-que-um-dia-quem-sabe-vai-virar-livro! Hollen, parte 3 chegou! Este capítulo começa a pavimentar os caminhos tortuosos que o protagonista precisa percorrer para, enfim, alcançar sua redenção! A trama começa a ganhar força. Leiam! =)
Lembrem-se que esses textos são teasers, partes brutas de algo que um dia se tornará maior! Certamente cortes serão feitos e outras linhas serão adicionadas! Abs!


Miguel foi direto, “Estou cumprindo ordens superiores”. Tudo começa a fazer sentido. Fui salvo pelo Criador para servi-Lo em algum propósito, mas que propósito seria este? A dúvida me fez pensar no que eu havia me tornado. Sou anjo ou demônio? Não faço parte do plano celeste e agora nem tampouco do infernal. Tornei-me um párea entre dois mundos distintos, jogado nesta realidade. No plano da criação.

 A cidade se aproxima e nem sinal de habitantes.

  Sinto fome.

As criaturas precisam de alimento para sustentar seus corpos neste plano. Matéria sustentando matéria. Nunca em minha existência havia precisado recorrer aos alimentos, afinal de contas, de onde vim, a fonte de energia estava em nossa fé e no amor nutrido pelo Criador. Após o exílio, perdemos o amor de Deus e passamos a nos matar. Os derrotados serviam de alimento para os vivos. Como éramos frutos de uma fonte de energia primordial, mesmo exilados, ainda tínhamos essa fração dentro de nós.
Incitamos diversos conflitos, e a histeria tomou conta de todos, havendo uma matança descomunal em prol de nossa sobrevivência. Foram tempos de guerra. Os celestiais ficaram vigilantes e sempre estiveram às portas do inferno para impedir nossa fuga. Quantos confrontos não foram necessários para conter nosso levante? Inúmeros. Mesmo diante de um pecado gravíssimo contra Deus, Ele não nos condenou ao extermínio, mas sim ao exílio.

A privação de Seu amor se tornaria o nosso maior castigo, nossa maior agonia. Muitos transformaram essa carência em ódio, rancor, transmutando isso na obsessão em destruir tudo que o Criador havia realizado. Por sua vez, transformei isso em arrependimento. Minha voz rompeu o tecido e chegou ao plano celeste.

Lúcifer por sua vez conseguiu reverter o nosso estado de euforia e paramos de nos matar e passamos a seguir um plano. O pecado do homem seria nossa fonte de calor, nosso alimento.

Se continuássemos assim, nos aniquilaríamos. As criaturas também vieram do verbo e sendo assim, eles nos dariam sua parte da energia primordial.

  Passamos a nos nutrir da energia vinda do grande lago de fogo, que consumia os pecadores, gerando energia suficiente para nos manter vivos no Tártaro. Quanto maior a desgraça humana, mas força teríamos. Com o tempo, os infernais aumentaram suas incursões neste plano, para corromper a criação e gerar mais energia, que pudesse alimentar a grande fornalha que é o inferno.

A vaidade humana seria o fiel da balança. Depois que o inferno percebeu que atacar a vaidade do homem seria o caminho, o mundo caiu em uma era de sombra e medo. A história da humanidade está repleta de eventos destruidores. Desde acidentes ditos naturais, passando por pestes e epidemias. Mas não havia fonte de alimento maior que a violência. O que mais personificava a violência eram as guerras.

Os infernais estiveram por trás de inúmeros conflitos. Muitos eram tão ávidos pelos combates que chegaram a lutar ao lado dos homens, pelo simples prazer de matar. O lago nunca crepitou tanto quanto no período das guerras. Os homens são levados ao extremo de suas forças e emoções ficando altamente vulneráveis e fáceis de serem manipulados.
Eu mesmo estive em algumas missões, influenciando, manipulando e destruindo. As Grandes Guerras mudaram o cenário do mundo, abrindo profundas cicatrizes na criação. Não escolhíamos um lado, uma bandeira, apenas a desordem e o caos importavam para os infernais. O caos nos mantinha vivos.

 Nada disso importa. Tudo me parece distante agora.

Fui jogado no poço sem fim. Apesar de estar aqui, dentro de mim, sinto que ainda estou caindo, sem rumo, perdido. Minhas lembranças camuflaram a necessidade deste corpo de se nutrir de matéria momentaneamente.

Comecei a entrar nos limites da cidade. A terra do deserto vai dando lugar ao asfalto. O calor é tão intenso que o piche estava mole, derretendo.  Pela posição do sol, deve ser tarde. O astro rei castiga com sua força.

Andando pela rua pude notar os olhares. Para estas criaturas, não passo de um forasteiro, um estranho em suas terras.  O semblante das pessoas mostra resignação e tristeza, mas por quê? Pude sentir a energia negativa daquelas criaturas, mas com o tempo, percebi que a cidade inteira me passava um mal pressentimento, como se algo estivesse para acontecer e que a minha vinda poderia desencadear algo maior, fora do controle.

Em minha caminhada, além dos olhares indiscretos, percebi duas presenças constantes, desde o instante que adentrei os seus limites. Olhos mais que vigilantes estavam sobre mim a todo o momento. Preferi continuar andando para ver se aquelas duas figuras deixariam de me seguir. Ficaram assim por algum tempo até que parei de sentir a presença deles.
 Não sei por quanto tempo andei, mas podia-se ver o firmamento no céu. A noite caiu.

Com o passar das horas as ruas começaram a ficar vazias e o silêncio passou a ser o meu grande companheiro. A esta altura a fome não importava mais, apenas a necessidade de encontrar um local para dormir. Poucos carros iam e vinham. A pequena cidade ia se entregando ao descanso. Algo aconteceu não muito longe. Um grito cortou o silêncio.
Corri para ver o que estava acontecendo e presenciei um assassinato.

 Um homem acabara de ser morto. Testemunhei várias criaturas colocando algo ou alguém dentro de um veículo e saindo em alta velocidade, se perdendo na escuridão. Foi tudo muito rápido. Não sabia o que estava acontecendo, mas fui em direção à vítima e ao chegar perto pude ver que o ferimento era muito grave. Um dano por perfuração, acertando os órgãos vitais. O autor daquele crime sabia exatamente o que estava fazendo, desferiu um golpe único, arrebatador, minimizando totalmente as chances de reação por parte da vítima. Uma morte fulminante.

A vítima fatal era um soldado. Estava com uma roupa diferente das demais e ostentava símbolos em seu peito.
Aqueles símbolos me ajudaram a lembrar de que também sou um soldado. Fiz parte da milícia celeste. As legiões celestes também possuem símbolos e estandartes e seguíamos uma hierarquia rígida.

Existem nove ordens de anjos: Anjos, Arcanjos, Virtudes, Potestades, Principados, Dominações, Tronos, Querubins e Serafins. Em cada uma destas ordens, existem os generais ou príncipes. No inferno era um pouco diferente. Tínhamos uma hierarquia, mas o poder acabava mais centralizado nas mãos de Lúcifer. Ele não gostava de polarizar as ordens, talvez com receio de criar no plano infernal um levante como o que aconteceu na casa do Pai.

Quando me dei conta, veículos humanos estavam por toda a parte e diversos soldados ao meu redor, apontando armas em minha direção. Não tive chance de reagir e nem tampouco de explicar que não era o autor daquela morte.

Fui rendido e logo em seguida colocado no carro. No instante em que o veículo deu partida e começou a se deslocar, pude ver a figura do soldado, imóvel, contemplando o seu corpo caído, sendo coberto pelos paramédicos. Nossos olhares se cruzaram e sua expressão de tristeza me comoveu. Deixou mulher e filhos. Agora só lhe resta a eternidade e o peso de seus pecados.

Fui jogado em uma cela. Nela havia outras pessoas. Além de mim, mais quatro criaturas. Senti uma energia pesada no ar e pude ver os crimes pelos quais foram presos e condenados. Estupro, assassinato, corrupção, agressão. Uma galeria repleta de atrocidades.

A corrupção de suas almas foi obra dos infernais. Isso me fez pensar que sou em parte culpado pela queda desses homens. Por um momento pensei na quantidade de almas que ajudei a destruir. Quantos não foram jogados no lago de fogo por obra de meus atos malignos? Caí de joelhos subitamente e me prostrei diante daqueles homens que nada entenderam.
Algumas horas se passaram e fui chamado para averiguações. Fui colocado em uma sala. Nela estava sentado um homem.

_ Por que matou aquele soldado? Perguntou o homem.

_ Não o matei, respondi.

_ Você foi encontrado na cena do crime. Sua prisão foi em flagrante. Continuou a me interrogar.

Fiquei em silêncio. Por mais que eu tenha dito que não fui o autor daquela morte, não poderia dar maiores explicações a respeito. Algo estava errado e pela energia negativa que senti naquele local, o perigo era muito grande. Nada que pudesse dizer o faria entender.

_ E o sequestro? Você sabe alguma coisa sobre o sequestro? As mulheres de nossa cidade estão sendo sequestradas. Chegou a nosso conhecimento que mais uma mulher sumiu.

_ Não.

Menti.

_ Esse caso não ter fim! Há gerações sequestros inexplicáveis se repetem em nossa cidade. Como se as mulheres simplesmente sumissem! Desabafou o homem.

Então “aquilo” que foi colocado no carro era uma mulher.

Neste momento entrou na sala outro homem, segurando alguns papéis. Sua cara era de poucos amigos.

_ Não temos informações sobre este indivíduo. É como se ele não existisse.

_ Como assim? Falou o primeiro homem.

_ Ele não tem identidade, não sabemos onde mora, como chegou nesta cidade. Sem mencionar que a arma do crime não foi encontrada! Disse o segundo homem.

_ E as impressões digitais? Questionou o primeiro homem.

_ Ele não tem impressões digitais. Concluiu o segundo homem.

Por alguns momentos os dois ficaram me olhando, mudos. A luz fraca que iluminava aquele pequena sala começou a falhar fazendo sua irregularidade aumentar o clima de tensão.

_ Leve-o para a cela! Ordenou o primeiro homem. O seu semblante era de nervosismo.

_Terei que fazer algumas ligações... terminou.

Fui recolocado em minha cela. Os demais presos ficaram me olhando, mas nada disseram ou fizeram. Fiquei no canto, agachado, esperando.

Já era tarde e todos os meus companheiros de cela já dormiam. Meus olhos ainda estavam abertos, fixos e perdidos em meus pensamentos. Neste momento algo aconteceu. Uma forte presença foi sentida no local. Sua luz era intensa, mas não agredia os olhos. Todos que estavam dormindo, continuaram imóveis, como se tomados por uma força que os impedisse de despertar.

Prontamente me ergui. Coloquei a mão nas grades, juntando o meu corpo sobre elas para tentar ver quem se aproximava. Sua energia foi aumentando e percebi que não se tratava de um infernal. Em instantes, o visitante entrou em meu campo de visão e pude ver quem era. Ele parou em minha frente e com um sorriso discreto ouvi o seu pensamento.

Hollen

Imediatamente esbocei um sorriso e disse:

_ Uriel.

Não pude tocá-lo, mas pude sentir e me alimentar de sua aura. A energia emanada por ele recarregou minhas forças. Senti-me mais disposto e confiante. Meu corpo que padecia por comida, não precisaria mais, por hora.

_ Deus tem um propósito para ti. Disse Uriel.

_ O que pode ser? Questionei.

_ A sua jornada está apenas no início. O seu arrependimento tocou o coração do Criador. O seu pecado é como escarlate, mas Ele viu graça em ti. Fui enviado para te libertar.

Uriel é um dos anjos mais poderosos do plano celestial. Ele é o príncipe das Dominações, uma das nove ordens celestes. Conhecido com o anjo da presença Divina.

_ Como posso lutar se estou preso a este avatar? Supliquei.

Enquanto falava a sua luz foi diminuindo a ponto de desaparecer. Quando a luz se dissipou, a grade da cela estava aberta.
Saí sorrateiramente e deixei a cadeia. Não demoraria muito para notarem a minha falta e começarem as buscas. Preciso descobrir os mistérios que rondam esta cidade. Algo está acontecendo por aqui e agora mais do que nunca preciso saber o que está por vir.

A aurora ainda não havia chegado e a cidade dormia. Vaguei pelas ruas a procura daquelas criaturas, tentando captar sua energia. O frio noturno começava a incomodar. Neste cenário acabei trocando olhares com indigentes e andarilhos, criaturas que outrora estiveram inseridos na sociedade e que por algum motivo foram excluídos do convívio dos comuns. 

Pude sentir as vibrações daquelas pessoas e o fardo que elas carregavam era muito grande. Pensei na desigualdade do mundo e nos males que fizemos para destruir a criação. Quão grande é nossa dívida com o Criador.

Embebido em pensamentos, mais uma vez pude captar a energia de antes. Ainda que fraca, era perceptível. Comecei a seguir aquele rastro espectral e senti que minha busca terminaria em breve.

Andando a passos largos, minha respiração começou a entrar no ritmo das passadas. O andar se tornou uma corrida e comecei a arfar. A energia se aproximava rapidamente e uma esquina me separava daqueles que tanto procurava.

Ao virar a rua me deparei com um cenário. Vários deles haviam encurralado um casal. Era um casal jovem, aparentavam ter entre 20 a 25 anos. O rapaz tava imobilizado. O seu captor estava por trás, passando o braço em seu pescoço e bem perto a mulher, com expressão de pânico cercada por três criaturas.
O que me chamou a atenção foi o tamanho dos captores. Possuíam em média 2 metros de altura. Um deles, o maior, beirava os 3 metros. Gigantes se comparados aos demais seres humanos.

Depois de alguns instantes, tomei partido da situação. Aproximei-me cautelosamente com as mãos abertas para mostrar que não portava nenhuma arma. Não havia como me esconder porque a área era aberta.

Estava mais próximo agora, a ponto de ficar a poucos metros do casal. Subitamente todos perceberam a minha presença. Algo que não podia imaginar aconteceu, o captor que estava imobilizando o rapaz, desembainhou uma espada e desferiu um golpe certeiro, a lâmina atravessou o corpo, perfurando o seu coração.  Ao receber o golpe, sua expressão mudou e seus olhos me encararam, atônitos, percebendo que se tratava do último sopro de sua vida. Contemplei toda a sua agonia. A vida o estava abandonando, e com ela, seus sonhos. Tudo chegaria ao fim prematuramente. Sua parceira não acreditava no que havia testemunhado e prontamente seus gritos foram abafados pelas mãos dos seus algozes. Ela se debatia em vão e já não tinha forças para continuar o seu embate.

O rapaz caiu no chão já sem vida. Meus olhos mortais seguiram queda de seu corpo e neste breve instante de distração, uma das criaturas avançou em minha direção. O movimento foi tão rápido que apenas me dei conta que seria atacado quando ouvi a lâmina de sua espada cortar o ar, fazendo sua melodia mortal com o assobio agudo.

Não tive muito tempo para pensar, apenas um passo para trás, me inclinando, fazendo com que a lâmina não ferisse minha carne, apenas rasgando parte de minha roupa.

Uma espada?

Somente uma pessoa treinada poderia ter desferido tal golpe. “Quem seriam essas criaturas?” Após o insucesso do primeiro golpe outros vieram logo em seguida. Como quem corta o ar em xis, a criatura se aproximou rápido, e só me restava recuar velozmente para fugir do alcance de sua lâmina afiada.

Minha altura e peso ajudavam a me tornar mais rápido que o meu oponente. Se eu recebesse um daqueles golpes, certamente morreria. A força usada em suas investidas era muito grande.

Quando não havia mais para onde ir o último golpe foi dado. Para a minha sorte consegui desviar fazendo com que a espada passasse bem perto desta vez. Por muito pouco não fui decapitado. Senti a lâmina tocar minha pele fazendo um levíssimo ferimento na horizontal. Um pequeno filete de sangue escorria pelo meu pescoço.
 A força imposta por ele foi tão grande que a espada ficou presa na barra de ferro de uma escada.

Minha chance!

Seu braço ainda esticado por conta do golpe e sua tentativa de retirar a espada me deram tempo suficiente para contra-atacar. Desferi um soco direto em seu rosto, fazendo o mesmo soltar a espada e recuar alguns passos. Neste meio tempo tentei retirar a espada que ainda se encontrava presa. Minha mão ficou levemente dolorida com o golpe, mas suficientemente forte para puxar a arma branca.

Fitei o meu inimigo e pude perceber mais atrás, em segundo plano, os demais estavam conduzindo a mulher para dentro do carro.

Tive que agir. Posso não estar usando minhas habilidades sobrenaturais, mas não havia esquecido como manusear uma espada. O inimigo desferiu diversos socos. Consegui desviar de todos recuando rapidamente.  Entre uma tentativa e outra de me acertar, olhei rapidamente e vi que os demais já adentravam o veículo. Não havia muito tempo, girei o meu corpo abrindo os braços em um ângulo perfeito de 180 graus. A lâmina da espada cortou o ar desferindo um golpe certeiro em diagonal rasgando o peito do meu oponente e sem chances de reagir, caiu, inerte, sem vida.

O veículo fora ligado e começou a se mover. Para a minha surpresa, eles não saíram em fuga, mas sim, veio em minha direção a toda velocidade. Minha mão direita apertou fortemente o cabo da espada. Não havia muito que fazer. Nos poucos segundos que me restavam para a colisão lancei a espada.

A lâmina rodopiou no ar em círculos perfeitos e pude ouvir o seu silvo ao cortar o ar. Tudo foi muito rápido. A espada atravessou o vidro do veículo, em acertando o motorista no ombro, o suficiente para fazê-lo desviar o carro e se chocar contra o muro.

A batida foi muito forte, fazendo o motorista, bastante ferido, e o seu comparsa ao lado serem projetados para fora do carro e se chocarem contra a parede logo à frente. Corri para ver se a mulher estava viva e para a minha alegria seu espírito ainda continuava encarnado naquele corpo. Apesar de viva, ela estava desacordada.

Puxei o terceiro sequestrador para fora do carro, este, também ferido e sem muita reação. Tombou a minha frente, sem forças para reagir. Levantei o seu rosto puxando os cabelos e perguntei:

  _O que está por trás de tantos sequestros?!

A criatura se limitou a me encarar, sem muita reação, pude notar que alguns dentes lhe faltavam à boca. O sangue também descia discretamente pelo nariz e pelas orelhas. Repeti a pergunta e quando fui mais efusivo notei uma marca em seu pescoço. Meus olhos ficaram trêmulos e algo tomou conta de mim.

Larguei a cabeça da criatura e como não estava em condições de reagir, se deixou levar pela gravidade e tombou. Andei alguns passos para trás tentando entender o que acabara de ver.

 A marca de Caim? 

Eles foram extintos no grande dilúvio...

Ainda incrédulo, vislumbrei a criatura que havia retirado do veículo se levantar, ainda atordoado, pegar sua espada e caminhar em minha direção. Seu braço ferido acabava segurando a espada com mais dificuldade, dando a impressão de ser mais pesada, fazendo sua extremidade ralar o chão, produzindo discretas faíscas. Desarmado, lembrei que minha espada estava cravada no ombro do motorista, que jazia imóvel a poucos metros do carro com sua frente já disforme pela batida.
Recuei, e um único pensamento me veio à cabeça:

Nefilins! 


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